Ferdi

Portugal v Espanha

Posted by: ferdi in: ● August 1, 2005

Um mero exemplo para compreender o porque do nosso atraso em relação a Espanha.
Estudo efectuado pelo Rui Rodrigues no site maquinistas.org

Para comparar - Uma história com 2 aeroportos:

Áreas:
- Aeroporto de Málaga: 320 hectares;
- Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.

Pistas:
- Aeroporto de Málaga: 1 pista;
- Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.

Tráfego (2004):
- Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7%-8% ao ano.
- Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento,4,5% ao ano.

Soluções para o aumento de capacidade:

Málaga:
- 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.

Lisboa:
- 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a 40Km da cidade.

Moral da História: “É o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o próprio espírito.” E, entretanto, vão-nos aumentando os impostos directos, indirectos, taxas, combustíveis, etc., etc., etc…

7 Comments to "Portugal v Espanha"

1 | UmEco

5 de August de 2005 to ● 12:57 am

Antes de mais uma vez mais obrigado pelo visita e pelas palavras.
Agora sobre o teu texto, que se dizer…
Artistas prtugueses da cassete pirata!!!
E se existir uma inspecção imagino quanto metem ao bolso?!
Um abraço

2 | Um crime na Ota

9 de August de 2005 to ● 8:47 am

Um crime na Ota
Miguel Sousa Tavares

Luís Campos e Cunha foi a primeira vítima a tombar em virtude desses crimes em preparação que se chamam aeroporto da Ota e TGV. Não se pode pedir a alguém que vem do mundo civil, sem nenhum passado político e com um currículo profissional e académico prestigiado que arrisque o seu nome e a sua credibilidade em defesa das políticas financeiras impopulares do Governo e que, depois, fique calado a ver os outros a anunciarem a festa
e a deitarem os foguetes.

Não se pode esperar que um ministro das Finanças dê a cara pela subida do IVA e do IRS, pelo aumento contínuo dos combustíveis e pelo congelamento de salários e reformas, que defenda em Bruxelas a seriedade da política de combate ao défice do Estado, e que, a seguir, assista em silêncio ao anúncio de uma desbragada política de despesas públicas à medida dos interesses dos caciques eleitorais do PS, da sua clientela e dos seus financiadores.

O afastamento do ministro das Finanças e a sua substituição por um homem do aparelho socialista é mais do que um momento de descredibilização deste Governo, de qualquer Governo.

É pior e mais fundo: é um momento de descrença, quase definitiva, na simples viabilidade deste país. É o momento em que nos foi dito, para quem ainda alimentasse ilusões, que não há políticas nacionais nem patrióticas, não há respeito do Estado pelos contribuintes e pelos portugueses que querem trabalhar, criar riqueza e viver fora da mama dos dinheiros públicos; há, simplesmente, um conúbio indecoroso entre os dependentes do partido e os dependentes do Estado.

Quando oiço o actual ministro das Obras Públicas - um dos vencedores deste sujo episódio - abrir a boca e anunciar em tom displicente os milhões que se prepara para gastar, como se o dinheiro fosse dele, dá-me vontade de me transformar em "off-shore", de desaparecer no cadastro
fiscal que eles querem agora tornar devassado, de mudar de país, de regras e de gente.

Há anos que vimos assistindo, num crescendo de expectativas e de perplexidade, ao anunciar desses projectos megalómanos que são o TGV e o aeroporto da Ota. O mesmo país que, paulatinamente e desprezando os avisos avulsos de quem se informou, foi desmantelando as linhas-férreas e o futuro do transporte ferroviário, os mesmos socialistas que, anos atrás, gastaram 120 milhões de contos no projecto falhado dos comboios pendulares, dão-nos agora como solução mágica um mapa de Portugal rasgado
de TGV de norte a sul.

Mas a prova de que ninguém estudou seriamente o assunto, de que ninguém sabe ao certo que necessidades serão respondidas pelo TGV, é o facto de que, a cada Governo, a cada ministro que muda, muda igualmente o mapa, o número de linhas e as explicações fornecidas.

E, enquanto o único percurso que é economicamente incontestável - Lisboa-Porto - continua pendente de uma solução global, propõe-nos que concordemos com a urgência de ligar Aveiro a Salamanca ou Faro a Huelva por TGV (quantos passageiros diários haverá em média para irem de Faro a Huelva - três, cinco, sete mais o maquinista?).

Quanto ao aeroporto da Ota, eufemisticamente baptizado de Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, trata-se de um autêntico crime de delapidação de património público, um assalto e um insulto aos pagadores de impostos. Conforme já foi suficientemente explicado e suficientemente entendido por quem esteja de boa-fé, a Ota é inútil, desnecessário e prejudicial aos utentes do aeroporto de Lisboa.

E, como o embuste já estava a ficar demasiadamente exposto e desmascarado, o Governo Sócrates tratou de o anunciar rapidamente e em definitivo, da forma lapidar explicada pelo ministro das Obras Públicas: está tomada a decisão política, agora vamos realizar os estudos..

Mas tudo aquilo que importa saber já se sabe e resulta de simples senso comum:

- basta olhar para o céu e comparar com outros aeroportos para perceber que a Portela não está saturada, nem se vê quando o venha a estar, tanto mais que o futuro passa não por mais aviões, mas por maiores aviões;

- em complemento à Portela, existe o Montijo e, ao lado dela, existe uma outra pista, já construída, perfeitamente operacional e que é uma extensão natural das pistas da Portela, que é o aeroporto militar de Alverca - para onde podem ser desviadas todas as "low cost", que não querem pagar as taxas da Portela e menos ainda quererão pagar as da Ota;- porque a Portela não está saturada, aí têm sido gastos rios de dinheiro nos últimos anos e, mesmo agora, anuncia-se, com o maior dos desplantes, que serão investidos mais meio bilião de euros, a título "assistência a um doente terminal", enquanto a Ota não é feita;

- os "prejuízos ambientais", decorrentes do ruído que, segundo o ministro Mário Lino, afectam a Portela são uma completa demagogia, já que pressupõem não prejuízos actuais, mas sim futuros e resultantes de se permitir a urbanização na zona de protecção do aeroporto;

- a deslocação do aeroporto de Lisboa para cerca de 40 quilómetros de distância retirará à cidade uma vantagem comercial decisiva e acrescentará despesas, consumo de combustíveis, problemas de trânsito na A1 e perda de tempo à esmagadora maioria dos utentes do aeroporto, com o correspondente enriquecimento dos especuladores de terrenos na zona da Ota, empreiteiros de obras públicas e a muito especial confraria dos taxistas do aeroporto.

O negócio do aeroporto é tão obviamente escandaloso que não se percebe que os candidatos à Câmara de Lisboa não façam disso a sua bandeira de combate eleitoral e que, à excepção de Carmona Rodrigues, ainda nem sequer se tenham manifestado contra. Carrilho já se sabe que não pode, sob pena de enfrentar o aparelho socialista e os interesses a ele associados, mas os outros têm obrigação de se manifestarem forte e feio contra esta coisa impensável de uma capital se ver roubada do seu aeroporto para facilitar negócios particulares outorgados pelo Estado.

A Ota e o TGV, que fizeram cair o ministro Campos e Cunha, são um exemplo eloquente daquilo que ele denunciou como os investimentos públicos sem os quais o país fica melhor.

Como o Alqueva, à beira de se transformar, como eu sempre previ, num lago para regadio de campos de golfe e urbanizações turísticas, ou os pendulares do ex-ministro João Cravinho, ou os estádios do Euro, esse "desígnio nacional", como lhe chamou Jorge Sampaio, e tão entusiasticamente defendido pelo então ministro José Sócrates. Os piedosos ou os muito bem intencionados dirão que é lamentável que não se aprenda com os erros do passado. Eu, por mim, confesso que já não consigo acreditar nas boas intenções e nos erros de boa-fé. Foi dito, escrito e gritado, que, dos dez estádios do Euro, não mais de três ou quatro teriam ocupação ou justificação futura.

Não quiseram ouvir, chamaram-nos "velhos do Restelo" em luta contra o "progresso". Agora, os mesmos que levaram avante tal "desígnio nacional", olham para os estádios de Braga, Bessa, Aveiro, Coimbra, Leiria e Faro,
transformados em desertos de betão e num encargo camarário insustentável, e propõem-nos um TGV de Faro para Huelva e um inútil aeroporto para servir pior os seus utilizadores, e querem que acreditemos que é tudo a bem da nação?

Não, já não dá para acreditar. O pior que vocês imaginam é mesmo aquilo que vêem. Este país não tem saída. Tudo se faz e se repete impunemente, com cada um a tratar de si e dos seus interesses, a defender o seu lobby
ou a sua corporação, o seu direito a 60 dias de férias, a reformar-se aos50 anos ou a sacar do Estado consultorias de milhares de contos ou empreitadas de milhões. E os idiotas que paguem cada vez mais impostos para sustentar tudo isto. Chega, é demais!

3 | Random

13 de August de 2005 to ● 12:06 pm

OTA alimentará as clientelas do PS. Não foi (quase) sempre assim neste país? :(

4 | Anonymous

2 de September de 2005 to ● 5:02 pm

Alguém sabe de quem são os terrenos da Ota?
Uma dica…
Almeida Santos diz alguma coisa….
Luís Filipe Vieira ….

5 | HappyGuy

17 de September de 2005 to ● 5:11 pm

É verdade… Os terrenos da OTA e, principalmente, os circundantes estão já todos… distribuídos.

O que vale é que quem não conseguiu comprar esses terrenos começou já a lançar a guerra do "A Portela é a melhor opção e mandem-se as Low-Cost para Alverca", ao mesmo tempo que comprou terrenos circundantes ao aeroporto militar de Alverca.

Não nos podemos ainda esquecer que as traseiras do Aeroporto da Portela são o último brinquedo do Sr. Stanley Ho. Que está a investir largamente na Alta de Lisboa e conta aí construir (mais) um Hotel, entre outras coisas. Ele não vai querer que o aeroporto se afaste da sua zona.

Sabendo nós que:
1) O Aeroporto da Portela ainda dá por muitos e largos anos para as necessidades
2) Na verdade, não há dinheiro para gastar
3) Se já é difícil que algo se decida e mais ainda que se comece a fazer, com 3 lobbies a puxar nada acontece.

Não precisamos de nos preocupar.

Neste momento o que mais me preocupa é como vamos pagar as multas a Bruxelas e como vai o nosso tecido industrial/serviços subsídio-dependente sobreviver quando os subsídios nos forem totalmente cortados. Tudo isto por não cumprirmos o pacto de estabilidade…

6 | zezão

25 de September de 2005 to ● 10:51 pm

saudaçoes bloguistikas!
sinceramente nao gosto muito de posts muito longos mas estes li!
Abituei-me ao barulho dos avioes durante alguns anos ate nem dava por eles …!tambem fui taxista durante uns anitos e o aeroporto até dava uns servicitos porreiros!
Agora um novo aeroporto ?! mas para quê!? este ainda não está terminado as obras continuam ! talvez estes politicos queiram ficar na historia do marmore!…
já agora estes politicos brincam com a inteligencia das pessoas ! ou melhor ,todos os dias nos passam atestados de estupidez vejam só …" Candidato-me para derrotar Cavaco Silva !" (Manuel Alegre) mas será se o conseguir
derrotar (claro que nao vai) nao vai governar a pensar em quem votou nele!(cavaco)! Estou pasmado!

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