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Choque tecnológico à portuguesa

Posted by: ferdi in: ● July 29, 2005

No dia 21 de Fevereiro de 2000 na sequência do protocolo assinado no dia 30 de Novembro de 1999, entre o Ministério da Ciência e Tecnologia, com o alto patrocínio do Ministro Mariano Gago, a Vodafone Telecel e a Sun Microsystems, o anunciava a disponibilidade a todos os cidadãos portugueses até 1 milhão de caixas de correio electrónico.

Justificando o avultado investimento o Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT) considerava que O MegaMail tinha como objectivo dar corpo a uma das principais prioridades do Governo: a democraticidade da Sociedade da Informação. Considerando ainda que com aquela iniciativa iria contribuir para a criação de uma verdadeira sociedade de informação.

Minimizando o facto de o mesmo serviço proposto já era disponibilizado gratuitamente de forma eficaz e satisfatória pela Portugalmail, Sapo, Clix, Oninet, IOL ente outros.

Segundo O Ministério da Ciência e Tecnologia o MegaMail era um serviço ímpar que se distinguia da concorrência pela:

- Alta disponibilidade: O MegaMail foi desenhado de raiz de forma a fornecer um serviço de elevada performance e alta disponibilidade. Este objectivo foi conseguido introduzindo redundância a diversos níveis do sistema, nomeadamente no que respeita à conectividade e armazenamento de dados;

- Escalabilidade: Dimensionado inicialmente para suportar 200 mil caixas de correio electrónico, sofrendo incrementos sucessivos da sua capacidade, na ordem das cem mil caixas de correio, sempre que seja atingida uma utilização de 75% da capacidade instalada, o serviço MegaMail pode crescer até ao milhão de caixas mantendo a performance e a qualidade de serviço ao utilizador;

- Acessibilidade: O MegaMail dispõe de condições de acessibilidade únicas, nomeadamente na proximidade com todos os fornecedores de serviço Internet presentes no PIX (Portuguese Internet Exchange Point);

Hoje a realidade é outra. Despendido o dinheiro dos cidadãos portugueses, (há rumores que o protocolo assinado involvia valores próximos de um milhão de contos/5 milhões de euros).

O serviço nunca arrancou verdadeiramente. O serviço disponibilizado foi sempre mediocre,nunca foi objecto de qualquer evolução e hoje na sua primeira página ostenta há largos meses a triste informação que o serviço se encontra em manutenção devido a problemas de hardware.

No 28 de Julho de 2005 com a mesma pompa e imboído no mesmo espirito e ambição e sustentado no famoso choque tecnolígico o sr. Mário Lino, ministro das Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações que quer pôr os portugueses a usar o telemóvel para fazer pagamentos de serviços.

Anuncia entre outros projectos revolucionários das quais destaco o Projecto “E-MAIL POR CIDADÃO”

“Cada cidadão irá ter uma caixa de correio electrónica, um projecto que conta com a extensa rede de distribuição dos CTT e está prevista para o próximo ano.”

Perante isto pergunto, será os membros do actual governo não conseguem aprender com os erros cometidos no passado.

Pergunto ainda porquê tanta obsessão pelo correio electrónico para todos os portugueses quando no país os portugueses são quase todos bem servidos.

Atrevo-me a apostar se o próprio serviço de email que os membros do governo conseguem superar a qualidade do serviço que por exemplo a Portugalmail disponibiliza gratuitamente as seus utilizadores e clientes.

Vejam só!!!!!
2 Gb de espaço de armazenamento
Accesso Web
POP3/SMTP ou IMAP
Tamanho máximo dos anexos enviados-10MB
Assinatura personalizada
Filtros pessoais de mensagens
Envio de mensagens em HTML
Leitura de contas de e-mail externas
Identidades adicionais
Verificação de mensagens assinadas digitalmente
Sistema Anti-vírus
Robustez e fiabilidade

Vai uma aposta?????

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8 Comments to "Choque tecnológico à portuguesa"

1 | revoltado

13 de August de 2005 to ● 12:21 am

corruptos estes políticos a começar por esse gago

2 | Salvador

13 de August de 2005 to ● 2:52 am

exactamente. grande post.

3 | Random

13 de August de 2005 to ● 12:02 pm

Revoltado, não sejas frustrado. Gago é dos melhores ministros que Portugal já conheceu. Pouco show-off. Muita obra feita em benefício do zé português, pobre e mal agradecido.

4 | orabolas

13 de August de 2005 to ● 5:03 pm

Por este andar ainda vão subsidiar a invençao da roda quadrada…

5 | Salvador

13 de August de 2005 to ● 7:13 pm

Random, aguardamos a todo momento um argumento seu, ou a negação dos factos que este post relata como verdadeiros!

Um dos melhores ministros porque nunca está debaixo dos ataques políticos. Obra feita porque lhe dão dinheiro para gastar.

Como se justifica um milhão de contos gastos em nada de proveitoso para o público?

6 | Carlos Jorge Andrade

19 de August de 2005 to ● 1:50 pm

Metade das features que refere não são gratuitas.

7 | fernando nogueira gonçalves

22 de August de 2005 to ● 11:49 am

O choque tecnológico português

Meus inventos? estão parados
Esperando conselho dos guias
É que os bolsos á muito vazios
Não vislumbram melhores dias

Rabiscos, curvas e textos
Muitos desenhos a acompanhar
Um dinheirão para registos
Quatro longos anos a esperar

Tudo fala em inovação
Neste Portugal parado e pobre
Como não temos melhor sorte
Para sair da escravidão
Vão-nos entretendo com palavras
Que nem eles sabem o que são

Sendo o fado o nosso mal
Essa dita canção nacional
Qual lavagem mental
De pobres desgraçados
Acabem com a merda do fado
Se é esse o mal de Portugal

Ponham bandas e marchas
Pifaros gaitas e adufes
Malhem neles e nos abutres
Que põem o país na miséria
Mandem-nos a todos prá Sibéria
Ou mais longe para outras bandas

Salteadores da arca perdida
É o melhor nome por que os trato
Esses abutres com pelo de rato
Que se pavonei-am a toda a hora
Á custa de quem sofre e chora
Ao ver e sentir sua causa esquecida

fernando nogueira gonçalves

8 | fernando noigueira gonçalves

4 de April de 2006 to ● 10:07 am

CARTA ABERTA AO 1º MINISTRO

PORTUGAL FORA DO SALÃO DE INVENÇÕES DE GENÉVE - 2006

Exmº Sr. Primeiro-Ministro de Portugal

É com profunda tristeza e muita indignação, que não vejo este ano de 2006, o meu país representado no maior salão de inventores do mundo.
Em 34 anos do salão de inventores e novas tecnologias de Genève, de onde vieram mais de trezentas medalhas para Portugal, este não está pela 1ºvez representado, pela mísera quantia que o Estado Português atribuía à Associação Portuguesa de Criatividade para representar o nosso país neste evento. Digo mísera, por quanto, qualquer dos ministérios que V.Exª dirige, gasta mais do que esse valor em …papel higiénico.
Sendo o discurso de V.Exª, farto em novas tecnologias , em inovação e choques tecnológicos, é de estranhar e questionar o constante desprezo que V. Exª tem nutrido aos inventores portugueses e às suas obras, com o expoente máximo nesta atitude do seu governo, negando a participação portuguesa neste evento internacional.

Sr. Primeiro -Ministro:
Da industria e dos empresários, até poderemos desculpar essa postura. Afinal não foram educados nem incentivados para uma prática de risco e apostas em inovação. Do governo, já é de estranhar e repudiar tal postura.
Como muitas vezes tenho afirmado, a inovação e a criatividade é, mais que inventar, um estado de espírito para que toda a sociedade ponha em prática novos métodos, novas maneiras de estar e de agir.
Com as medidas que o estado português manifesta, é um exemplo ao deixa andar e à estagnação.
O que é que vamos dizer aos estudantes quando nos convidam para participar nas suas mostras de ciência? Só uma palavra : emigrem ! fujam deste país de faz de conta.
Aos inventores portugueses só posso aconselhar o boicote a actos de registo de patentes nacionais e à falta de comparência em colóquios, escolas , e demais convites no espaço português.
A par disso, convidar os inventores portugueses e a associação portuguesa de criatividade, a solicitar apoios à nossa vizinha Espanha e suas associações de inventores, para debaixo da sua bandeira poder-mos mostrar o trabalho que a nossa pátria madrasta nos nega divulgar

Termino esta carta, com um poema de um autor anónimo, para V.Exª e o seu governo lerem e meditarem , se para tal tiverem sensibilidade.

” por falta de um inventor,
se perdeu um invento,
por falta de um invento,
se perdeu um produto,
por falta de um produto,
se perdeu uma empresa,
por falta de uma empresa,
se perdeu uma fábrica,
por falta de uma fábrica,
se perdeu milhares de empregos,
por falta de milhares de empregos,
um país perdeu seu futuro,

tudo por falta de um inventor”

Cumprimentos
Fernando Nogueira Gonçalves ex- apoiante de José Sócrates

Fundão 31 de Março de 2006

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