Posted by: ferdi in: ● August 23, 2004
Francis Obikwelu, 25 anos, nasceu na Nigéria a 22 de Novembro de 1978. Desde cedo começou a fazer desporto. Testemunhos falam de um menino que começou a jogar futebol, mas que depressa foi dirigido para o atletismo. Venceu vários prémios com as cores verdes da Nigéria, mas na primeira oportunidade que teve de procurar o «outro mundo» quis mudar. Chegou a Portugal para «correr».
A primeira vez que correu foi em Lisboa, no campeonato mundial de juniores, então com resultados modestos. Não voltou à Nigéria. Ficou em Portugal, passou por momentos difíceis, mas depressa se ergueu. É conhecido como alguém determinado, que luta pelos objectivos, e que não deixa de reconhecer quem o ajudou.
Posted by: ferdi in: ● August 23, 2004
Francis Obikwelu confessava a Isabel Ferreira, dirigente do Belenenses e quase sua mãe «adoptiva» que queria ser alguém no futuro. «Ele falava que um dia iria conseguir chegar lá», revela. Um dia chegou, mas foi ao Sporting.
«A saída dele do Belenenses foi pacífica», garante. Já o processo de naturalização estava em curso. «Fomos nós que avançámos com a naturalização dele, depois o Sporting concluiu», conta, acrescentando que o atleta nunca esqueceu quem o ajudou: «Ele foi para lá mas nunca se esqueceu do «pai» e da «mãe». Isto apesar do filho estar longe.»
Posted by: ferdi in: ● August 23, 2004
Obikwelu não falava português quando chegou a Portugal, para mais expressava-se num complicado inglês. «Não dizia uma palavra em português, talvez Bom Dia ou Boa Tarde, apenas».
Foi à escola do amigo de rugby, onde Mary Morgan leccionava. «Quando o conheci percebi que era um rapaz muito convicto, mas muito perdido. Só pensei em arranjar forma de o ajudar, mas também pensei que a polícia o iria apanhar devido a estar ilegal no país. Liguei para igrejas, para todo o sítio que o pudesse acolher.
Posted by: ferdi in: ● August 23, 2004
Francis Obikwelu tinha 16 anos quando chegou a Portugal. Participou num campeonato mundial de juniores, de 400m, em Lisboa, que inaugurou a pista do Estádio Universitário. Quis ficar. «Ele pensava que aqui iria conseguir melhores condições de vida», explica Mary Morgan, professora de português/inglês em Loulé.
«Foi ao Benfica, depois foi ao Sporting, mas ninguém o queria aceitar porque ele estava ilegal no país», revelou. «Estava na rua, não tinha dinheiro, e começou a trabalhar nas obras. Agora imagine-se o que é um rapaz de 16 anos sozinho em Lisboa a trabalhar nas obras», diz a professora de Obikwelu.
Posted by: ferdi in: ● August 23, 2004
Francis Obikwelu, 25 anos, é o novo medalhado dos Jogos Olímpicos de Atenas com as cores de Portugal, mas é também a história de um menino clandestino que um dia chegou a Lisboa com as pernas de um atleta. Bateu às portas de Benfica e de Sporting, mas a única coisa que ouviu foi um redondo «não» à ilegalidade.
Nigeriano de nascença, trabalhou duro enquanto pensou que podia ir de Portugal à Noruega a pé. Viveu ao lado da bebida e da droga, mas resistiu em nome do desporto. Este domingo recebeu o prémio que tanto procurou. Mas ainda falta um degrau. O ouro!
Posted by: ferdi in: ● August 23, 2004
Um espectáculo este Francis Obikwelu nos 100 metros: uma medalha de prata na final dos Jogos Olímpicos, um recorde da Europa (9,86 s), o sétimo tempo mundial de sempre e o segundo do Mundo este ano!

Posted by: ferdi in: ● August 23, 2004
Chegou a Portugal com 16 anos. Vinha integrado na selecção nigeriana, a fim de disputar os Mundiais de juniores na capital portuguesa. Na altura não chegou a entrar em cena, porque o seu objectivo era outro: fugir às dificuldades que atormentam o seu país e todo o continente africano. E, por isso, o jovem Obikwelu não competiu nem regressou à Nigéria, partindo à procura de uma vida melhor. No Algarve, trabalhou na construção civil e por aí ficou durante vários meses. Mais tarde, ao decidir aprender português, conheceu a professora Mary Morgan que, depois de contactar diversos clubes, o apresentou a Fausto Ribeiro, na altura treinador do Belenenses, que o levou para o clube do Restelo. Foi aí que teve a oportunidade de poder fazer o que mais gostava, mas nem no Restelo a vida parecia mais fácil. Obikwelu dormia num pequeno quarto debaixo das bancadas do estádio e o dinheiro para comer não abundava.
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