Faz-me confusão como é que uma pessoa que já foi Nobel da Literatura pode ser publicamente tão incoerente e estupidamente parcial como José Saramago o é. Estas tomadas de posição só podem ser explicadas por um ódio de morte à Igreja cristã, em particularidade à Igreja Católica ou pura e simplesmente são opiniões com fins meramente publicitários de forma o público constatar que José Saramago ainda existe e encontra-se vivo servindo-se este da Igreja para sustentar a sua conta bancária.
A propósito deste cromo subscrevo integramente uma opinião do Manuel Martins de Sá publicado imagine-se no Jornal a Bola de hoje.
"José Saramago já nos habituou a entrevistas polémicas como aquela que concedeu na passada semana ao DN em que aborda temas delicados como o da soberania nacional («Portugal acabará por integrar-se em Espanha») e do papel da igreja na Europa. Fico agora à espera que ele venha afirmar o contrário daquilo que afirmou, porque Saramago já nos habituou a essas hemiplegias intelectuais de sustentar, sem rebuço, duas opiniões opostas e contraditórias ao mesmo tempo.
Por exemplo, quando há cerca de dois anos o mundo islâmico se enfureceu (assaltos a embaixadas, ameaças de bomba e de mortes…) com a publicação por um jornal dinamarquês de umas caricaturas satíricas sobre Maomé, o escritor tomou as dores dos muçulmanos e olimpicamente declarou: «O que me surpreende é a irresponsabilidade do autor dos desenhos, ao julgar que a liberdade de expressão é um direito absoluto (…); fazer uma caricatura daquelas é como lançar gasolina no fogo.»
Há alguns meses, ao invés, quando a Espanha católica protestou (sem assaltar embaixadas, incendiar bandeiras ou queimar fantoches de Bush ou Blair) a pretexto do lançamento de um livro fotográfico (financiado pelo governo Zapatero) em que se retratava Cristo na cruz completamente nu a ser masturbado por uma virgem (!), o outro Saramago voltou a indignar-se muito, desta vez não pelo livro mas pelos protestos: «O valor fundamental das sociedades democráticas é a liberdade absoluta de expressão e criação, que não pode ser subjugada por regras morais (…) que apenas pretendem reprimir, controlar, julgar.» Há dois anos, a condenação da liberdade de expressão como valor absoluto; há alguns meses, a reivindicação da absoluta liberdade de expressão. E tudo sempre com um ar doutoral, dogmático, oracular de quem se sente depositário da verdade e sabedoria suprema. Valha-nos Deus. Mais valia estar calado."